quando uma paciente é transefida do quarto para a UTI, é porque ela piorou.
quando essa paciente é uma garota, com a cor dos seus olhos, a mesma boca pequena, a pele pálida, e a mesma idade que a sua, quem piora é você.
além disso, enquanto a paciente estava no quarto (recebendo quimioterapia) o dentista é requisitado. a mucosite é pauleira e rola solta. só nos resta diminuir os sintomas, pra evitar que o paciente pare de se alimentar pela boca. e isso já é muito nobre.
mas quando a paciente vai pra UTI, a gente deixa de ser útil. e saber que ela piorou e está morrendo e deixar de ajudar, nem que seja esse pouquinho, é horrível. a equipe médica de UTI ta pouco se lixando pro nosso trabalho.
-primeiro: porque eles "só" querem evitar que ela morra (o enfoque é completamente diferente entre enfermaria e UTI).
-e segundo: agora ela já está sendo alimentada pela sonda mesmo.
segunda-feira, 15 de março de 2010
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
benjamin button e doenças neuro degenerativas.
"não sou vaidosa, não ligo muito pra questões de estética e beleza. me preocupo mais com o meu cérebro. se algum médico me dissesse -faça tal coisa que vc ficará livre de doenças neuro degenerativas- eu faria sem pensar duas vezes".
ouvi isso da chefe do serviço de neurologia pediátrica do hc.
e sou obrigada a concordar.
o fim de o curioso caso de banjamin button é quase clássico. estive pensando o filme todo em como resolveriam o fato de que ele teria que morrer. mas morrer de que? catapora?
e não é que o benjamin desenvolve alzheimer? começa a apresentar comportamentos estranhos, para de reconhecer as pessoas. se torna completamente dependente e definha até morrer. caiu como uma luva.
entretanto, benjamin teve uma vida boa. os sinais da doença se manifestaram quando ele já tinha alguma idade (ou não, haha).
o maior problema aqui, aparece quando os sintomas começam cedo.
alzheimer pode começar com 35 anos
huntington com 30.
esclerose múltipla com 20.
e então, com 40 anos o paciente está como benjamin estava quando morreu.
uma criança.
que aproveitou até os 20 e poucos anos.
mas que daí pra frente voltou no tempo.
ouvi isso da chefe do serviço de neurologia pediátrica do hc.
e sou obrigada a concordar.
o fim de o curioso caso de banjamin button é quase clássico. estive pensando o filme todo em como resolveriam o fato de que ele teria que morrer. mas morrer de que? catapora?
e não é que o benjamin desenvolve alzheimer? começa a apresentar comportamentos estranhos, para de reconhecer as pessoas. se torna completamente dependente e definha até morrer. caiu como uma luva.
entretanto, benjamin teve uma vida boa. os sinais da doença se manifestaram quando ele já tinha alguma idade (ou não, haha).
o maior problema aqui, aparece quando os sintomas começam cedo.
alzheimer pode começar com 35 anos
huntington com 30.
esclerose múltipla com 20.
e então, com 40 anos o paciente está como benjamin estava quando morreu.
uma criança.
que aproveitou até os 20 e poucos anos.
mas que daí pra frente voltou no tempo.
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
the blue kids group
com essa febre de crepúsculo e true blood, todas as pré adolescentes querem ter um ar mais vampiresco.
não me importo nem um pouco com olheiras e pele beeem branca. eu inclusive assumo essa forma de tempos em tempos.
mas, ver as criancinhas com as pontas dos dedos e os lábios roxos naturalmente não foi agradável.
cianose.
essa é a chave pro visual crepusculento.
não me importo nem um pouco com olheiras e pele beeem branca. eu inclusive assumo essa forma de tempos em tempos.
mas, ver as criancinhas com as pontas dos dedos e os lábios roxos naturalmente não foi agradável.
cianose.
essa é a chave pro visual crepusculento.
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
ruth e raquel
nunca me esqueço das gemeas da novela.
a gêmea boa. a gêmea má.
presenciar isso na vida real não é uma experiência agradável.
principalmente quando a "gêmea boa" não é sortuda como a mocinha da novela.
comportamentos autoritários entre irmãos sempre existiram. mas quando esse comportamento desencadeia doenças, a coisa fica feia.
gêmeas, 15 anos. mãe: dona de um buffet. pai: engenheiro alimentar (curioso, não?)
diagnótico da gêmea boa: anorexia purgativa
diagnóstico da gêmea má: anorexia purgativa + transtorno obsessivo compulsivo (toc)
avaliação e conduta psiquiatrica extremamente difícil, uma vez que houve e ainda há influência direta da gemea má (que teve a ideia de fazer dietas de 400calorias/dia e caminhadas de 3 horas diárias) sob a gêmea boa.
e mais delicada ainda fica a abordagem da gêmea boa. que não consegue decidir nada sozinha. que perdeu o livre arbítrio. e que acata qualquer ideia que a irmã possa ter.
a gêmea boa. a gêmea má.
presenciar isso na vida real não é uma experiência agradável.
principalmente quando a "gêmea boa" não é sortuda como a mocinha da novela.
comportamentos autoritários entre irmãos sempre existiram. mas quando esse comportamento desencadeia doenças, a coisa fica feia.
gêmeas, 15 anos. mãe: dona de um buffet. pai: engenheiro alimentar (curioso, não?)
diagnótico da gêmea boa: anorexia purgativa
diagnóstico da gêmea má: anorexia purgativa + transtorno obsessivo compulsivo (toc)
avaliação e conduta psiquiatrica extremamente difícil, uma vez que houve e ainda há influência direta da gemea má (que teve a ideia de fazer dietas de 400calorias/dia e caminhadas de 3 horas diárias) sob a gêmea boa.
e mais delicada ainda fica a abordagem da gêmea boa. que não consegue decidir nada sozinha. que perdeu o livre arbítrio. e que acata qualquer ideia que a irmã possa ter.
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
tratamento de choque
situação 1 - instituto central.
explicando a um paciente hipertenso com diabetes não insulino dependente que ele não enquadra no serviço de odontologia.
-então, senhor, aqui a gente só pega paciente que TA RUIM MESMO, sabe? gente com AIDS, que ta com CANCER, HEMOFÍLICO, sabe? q NÃO PARA DE SANGRAR.... o senhor num tem nada disso, pode ser atendido em um consultorio particular ou no posto de saúde tranquilamente! deveria ficar feliz por não ser atendido aqui!
situação 2 - incor
convencendo o paciente internado a restaurar os dentes no dentista externo quando tiver alta médica.
-esses buracos aqui no meu dente eu vou deixar... num ligo pra essas coisas de ficar bonito não.
-ah, mas essas cáries tão cheinhas de bactérias! se não cuidar, a bactéria do dente PULA NO SANGUE, COLA NO SEU CORAÇÃO e INFECCIONA TUDO POR DENTRO! aí o senhor perde a cirurgia.... quer ficar internado e operar denovo???
explicando a um paciente hipertenso com diabetes não insulino dependente que ele não enquadra no serviço de odontologia.
-então, senhor, aqui a gente só pega paciente que TA RUIM MESMO, sabe? gente com AIDS, que ta com CANCER, HEMOFÍLICO, sabe? q NÃO PARA DE SANGRAR.... o senhor num tem nada disso, pode ser atendido em um consultorio particular ou no posto de saúde tranquilamente! deveria ficar feliz por não ser atendido aqui!
situação 2 - incor
convencendo o paciente internado a restaurar os dentes no dentista externo quando tiver alta médica.
-esses buracos aqui no meu dente eu vou deixar... num ligo pra essas coisas de ficar bonito não.
-ah, mas essas cáries tão cheinhas de bactérias! se não cuidar, a bactéria do dente PULA NO SANGUE, COLA NO SEU CORAÇÃO e INFECCIONA TUDO POR DENTRO! aí o senhor perde a cirurgia.... quer ficar internado e operar denovo???
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
os pacientes e a fila do SUS
terça feira.
08 am.
ambulatorio de DTM.
chamo o primeiro paciente do dia:
- Seu _______.
um homem na sala de espera levanta e vem andando com dificuldade, apoiado em muletas. me diz bom dia com a fala meio enrrolada. usa chinelos havaianas e meia.
"será que é algum problema mental, ou é sequela de AVC" eu penso comigo mesma.
queixa do paciente, praticamente a mesma coisa q todos os pacientes da terça feira de manhã dizem. "tenho um dente que faz o meu ouvido doer".
saio da sala para me paramentar. nisso o R2 entra.
quando eu volto, ouço o R2 dizendo:
-Seu ______, o sr ta bem??? Ai não, ele vai vomitar!
e me empurra pra fora da sala.
após lavar o consultorio com 3 ansias seguidas de vomito, colocamos o paciente sentadinho em uma cadeira de rodas (pois nem com as muletas ele conseguia ficar em pé), e fomos ao PS, onde descobrimos que o seu ______ vinha pro PS bebado, davam um jeito nele, ele melhorava e ia embora e em 2 dias voltava no mesmo estado.
-num vai ver meu dente não??
-primeiro a gente tem q saber porque o sr ta vomitando assim...
-ah... e quando eu chegar lá vou ter q entrar na fila denovo???
-não seu ______. tá com a gente, é VIP!
08 am.
ambulatorio de DTM.
chamo o primeiro paciente do dia:
- Seu _______.
um homem na sala de espera levanta e vem andando com dificuldade, apoiado em muletas. me diz bom dia com a fala meio enrrolada. usa chinelos havaianas e meia.
"será que é algum problema mental, ou é sequela de AVC" eu penso comigo mesma.
queixa do paciente, praticamente a mesma coisa q todos os pacientes da terça feira de manhã dizem. "tenho um dente que faz o meu ouvido doer".
saio da sala para me paramentar. nisso o R2 entra.
quando eu volto, ouço o R2 dizendo:
-Seu ______, o sr ta bem??? Ai não, ele vai vomitar!
e me empurra pra fora da sala.
após lavar o consultorio com 3 ansias seguidas de vomito, colocamos o paciente sentadinho em uma cadeira de rodas (pois nem com as muletas ele conseguia ficar em pé), e fomos ao PS, onde descobrimos que o seu ______ vinha pro PS bebado, davam um jeito nele, ele melhorava e ia embora e em 2 dias voltava no mesmo estado.
-num vai ver meu dente não??
-primeiro a gente tem q saber porque o sr ta vomitando assim...
-ah... e quando eu chegar lá vou ter q entrar na fila denovo???
-não seu ______. tá com a gente, é VIP!
sábado, 28 de novembro de 2009
ponto de vista.
revistas de publicação científica funcionam como um termômetro para avaliar se certa doença ou condição está sendo muito ou pouco pesquisada.
geralmente essas revistas tem um nome beem extenso e chato tipo European Early Childhood Education Research Journal.
quando o nome do periódico é simples e conciso, já da pra ver que é um assunto que está em alta. é o caso de Stroke, Pain, Cancer e Epilepsia.
epilepsia?
imagine seu filho pequeno, se desenvolvendo normalmente. de repente, do nada, ele convulsiona aos 4 anos. e não para mais.
além de não continuar o desenvolvimento psicomotor, ele ainda "desaprende" coisas que já sabia, como andar, falar, e até deglutir.
ele tem síndrome de Lennox Gastaut, uma síndrome epiléptica da infância.
o eletrocefalograma é desesperador: as ondas elétricas no cérebro são completamente descoordenadas e ininterruptas. é como se o cérebro do seu filho entrasse em curto-circuito e daí ele não consegue mais armazenar nenhuma informação. um estado de convulsion-non-stop.
e ele já está com 10 anos.
a mãe do paciente diz que tem outra filha pequena. eu pergunto se ela se dá bem com o irmão. rindo, a mãe diz que sim, mas que a filha é arteira demais perto do irmão. ele fica tranquilão vendo tv e ela não para quieta.
me lembro que o irmão não faz absolutamente nada sozinho, nem engolir a própria saliva. é lógico que ele não vai ser "arteiro".
e é lógico que eu guardei essa conclusão pra mim.
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