terça-feira, 19 de janeiro de 2010

the blue kids group

com essa febre de crepúsculo e true blood, todas as pré adolescentes querem ter um ar mais vampiresco.
não me importo nem um pouco com olheiras e pele beeem branca. eu inclusive assumo essa forma de tempos em tempos.
mas, ver as criancinhas com as pontas dos dedos e os lábios roxos naturalmente não foi agradável.

cianose.
essa é a chave pro visual crepusculento.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

ruth e raquel

nunca me esqueço das gemeas da novela.
a gêmea boa. a gêmea má.

presenciar isso na vida real não é uma experiência agradável.
principalmente quando a "gêmea boa" não é sortuda como a mocinha da novela.

comportamentos autoritários entre irmãos sempre existiram. mas quando esse comportamento desencadeia doenças, a coisa fica feia.

gêmeas, 15 anos. mãe: dona de um buffet. pai: engenheiro alimentar (curioso, não?)
diagnótico da gêmea boa: anorexia purgativa
diagnóstico da gêmea má: anorexia purgativa + transtorno obsessivo compulsivo (toc)

avaliação e conduta psiquiatrica extremamente difícil, uma vez que houve e ainda há influência direta da gemea má (que teve a ideia de fazer dietas de 400calorias/dia e caminhadas de 3 horas diárias) sob a gêmea boa.
e mais delicada ainda fica a abordagem da gêmea boa. que não consegue decidir nada sozinha. que perdeu o livre arbítrio. e que acata qualquer ideia que a irmã possa ter.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

tratamento de choque

situação 1 - instituto central.
explicando a um paciente hipertenso com diabetes não insulino dependente que ele não enquadra no serviço de odontologia.

-então, senhor, aqui a gente só pega paciente que TA RUIM MESMO, sabe? gente com AIDS, que ta com CANCER, HEMOFÍLICO, sabe? q NÃO PARA DE SANGRAR.... o senhor num tem nada disso, pode ser atendido em um consultorio particular ou no posto de saúde tranquilamente! deveria ficar feliz por não ser atendido aqui!


situação 2 - incor
convencendo o paciente internado a restaurar os dentes no dentista externo quando tiver alta médica.

-esses buracos aqui no meu dente eu vou deixar... num ligo pra essas coisas de ficar bonito não.
-ah, mas essas cáries tão cheinhas de bactérias! se não cuidar, a bactéria do dente PULA NO SANGUE, COLA NO SEU CORAÇÃO e INFECCIONA TUDO POR DENTRO! aí o senhor perde a cirurgia.... quer ficar internado e operar denovo???

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

os pacientes e a fila do SUS

terça feira.
08 am.
ambulatorio de DTM.
chamo o primeiro paciente do dia:

- Seu _______.

um homem na sala de espera levanta e vem andando com dificuldade, apoiado em muletas. me diz bom dia com a fala meio enrrolada. usa chinelos havaianas e meia.

"será que é algum problema mental, ou é sequela de AVC" eu penso comigo mesma.

queixa do paciente, praticamente a mesma coisa q todos os pacientes da terça feira de manhã dizem. "tenho um dente que faz o meu ouvido doer".

saio da sala para me paramentar. nisso o R2 entra.
quando eu volto, ouço o R2 dizendo:
-Seu ______, o sr ta bem??? Ai não, ele vai vomitar!
e me empurra pra fora da sala.

após lavar o consultorio com 3 ansias seguidas de vomito, colocamos o paciente sentadinho em uma cadeira de rodas (pois nem com as muletas ele conseguia ficar em pé), e fomos ao PS, onde descobrimos que o seu ______ vinha pro PS bebado, davam um jeito nele, ele melhorava e ia embora e em 2 dias voltava no mesmo estado.

-num vai ver meu dente não??
-primeiro a gente tem q saber porque o sr ta vomitando assim...
-ah... e quando eu chegar lá vou ter q entrar na fila denovo???
-não seu ______. tá com a gente, é VIP!

sábado, 28 de novembro de 2009

ponto de vista.

revistas de publicação científica funcionam como um termômetro para avaliar se certa doença ou condição está sendo muito ou pouco pesquisada.
geralmente essas revistas tem um nome beem extenso e chato tipo European Early Childhood Education Research Journal.
quando o nome do periódico é simples e conciso, já da pra ver que é um assunto que está em alta. é o caso de Stroke, Pain, Cancer e Epilepsia.

epilepsia?

imagine seu filho pequeno, se desenvolvendo normalmente. de repente, do nada, ele convulsiona aos 4 anos. e não para mais.
além de não continuar o desenvolvimento psicomotor, ele ainda "desaprende" coisas que já sabia, como andar, falar, e até deglutir.
ele tem síndrome de Lennox Gastaut, uma síndrome epiléptica da infância.
o eletrocefalograma é desesperador: as ondas elétricas no cérebro são completamente descoordenadas e ininterruptas. é como se o cérebro do seu filho entrasse em curto-circuito e daí ele não consegue mais armazenar nenhuma informação. um estado de convulsion-non-stop.
e ele já está com 10 anos.

a mãe do paciente diz que tem outra filha pequena. eu pergunto se ela se dá bem com o irmão. rindo, a mãe diz que sim, mas que a filha é arteira demais perto do irmão. ele fica tranquilão vendo tv e ela não para quieta.

me lembro que o irmão não faz absolutamente nada sozinho, nem engolir a própria saliva. é lógico que ele não vai ser "arteiro".

e é lógico que eu guardei essa conclusão pra mim.

domingo, 22 de novembro de 2009

painkillers

Daul Kim, modelo sul coreana de 20 anos, foi encontrada morta no apartamento em que vivia em Paris, semana passada. provavelmente, suicídio.

o que leva uma pessoa a fazer isso tem sido motivo de discussões por todo o mundo.
creio que existam dois tipos de suicidas: os que planejam em todos os detalhes. e os que assumem comportamentos inconsequentes, pois morrer ou viver tanto faz.
não sei de que tipo Daul Kim foi.

Mais quando uma paciente de 40 anos do grupo de dor, resolve tomar de uma vez todos os analgésicos opióides que a equipe tinha prescrito e que deveriam durar uma semana, e é levada as pressas ao pronto socorro pra fazer uma lavagem estomacal a gente pensa que ela é do segundo grupo.
se fosse do primeiro teria tomado os remédios com vodca.

mas eu acho que esse segundo grupo... o grupo do tanto faz, é pior do que o grupo dos decididos.
porque a gente nunca vai saber quando eles podem tentar denovo.
e no caso dessa paciente, cuja a dor só piorou com uma sequência de erros médicos, não importa o que a gente diga.
se a crise de dor vier, ela vai tentar denovo.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

HCFMUSP - pacientes.

quando a gente pensa no HC (Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo), as primeiras palavras/conceitos/imagens que vem as nossas cabeças são referência, modelo, maiorhospitaldaamericalatina.

já disse aqui no blog que sou sortuda em não ter que conviver com hospitais durante minha infância. também sou sortuda, por nunca ter tido que depender do sistema público para ter acesso a tratamentos medicos.
assim, sempre que eu pensava em HC, eram aquelas palavras que pipocavam na minha mente.

só que a gente esquece que o HC funciona via SUS. o sistema é falho, e não da conta de sua própria demanda. e isso se reflete no HC.

choquei quando entre no Prédio dos Ambulatórios pela primeira vez. filas enoooooooormes de pacientes na porta das salas, espalhadas pelos corredores e até na farmácia (a oftalmo tem até um microfone para chamar os pacientes sem ter que ficar se esguelando de gritar) e pacientes em macas no meio dos corredores.
a mesma coisa no PSC (Pronto Socorro Central). macas e mais macas enfileiradinhas nos corredores. o cheiro, de acordo com a seguinte equação:

(fluidos/secreções/excreções humanas diversas + sopa de mandioquinha) x horário do dia.

poor rich girl.